Como melhorar minha autoestima?

Pintura a óleo de uma pessoa em um barco a remo no oceano ao pôr do sol, simbolizando a direção consciente da própria vida e o cultivo da paz interna e confiança.
A autoestima é uma habilidade cultivada diariamente através da autocompaixão, de hábitos graduais e do filtro contra comparações externas. Em vez de reprimir a autocrítica, o segredo é mudar a mentalidade para agir com persistência e autonomia.
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Tiago Medeiros

Psicólogo Junguiano - CRP 04/72974

Muitas pessoas acreditam que a autoestima é um traço imutável, como se fosse algo “dado” ao nascer. A verdade é que ela é uma habilidade que pode ser desenvolvida, assim como a proficiência em um esporte ou hobby. No entanto, fortalecer a autoestima exige atravessar processos complexos de mudança de hábitos, de mentalidade e na forma como interagimos conosco e com o mundo.

Como identificar e lidar melhor com a sua voz interna mais crítica?

É comum que pessoas com baixa autoestima possuam uma voz interna que rumina constantemente autocríticas negativas. Isso cria um ciclo de negatividade, deixando o indivíduo refém de si mesmo e com dificuldades de se desvencilhar desses julgamentos. Para identificar essa voz, basta observar seus pensamentos quando algo sai do planejado: as críticas costumam surgir de imediato.

Contudo, não devemos tentar silenciá-la à força. Como aponta Jung, a repressão de um afeto apenas o torna mais forte. O segredo é aprender a não se identificar totalmente com o que essa voz diz. Se somos capazes de acreditar nos conteúdos negativos que ela traz, também podemos aprender a validar os positivos. Uma estratégia eficaz é praticar ativamente a autocompaixão, respondendo às críticas com afirmações mais compreensivas e gentis. Escrever ou falar essas frases pode parecer difícil inicialmente, mas é o passo fundamental para romper o ciclo.

Passo a passo: hábitos práticos para fortalecer a confiança diariamente

Além de cultivar o autoperdão e pensamentos positivos, outros hábitos ajudam a solidificar a autoconfiança e autoestima. Ao criar uma nova rotina, é preciso ter em mente que a mudança é naturalmente desafiadora, pois exige romper com padrões antigos. Por isso, uma boa recomendação é: mude poucas coisas por vez.

Tentar transformar tudo simultaneamente aumenta as chances de frustração, o que pode retroalimentar o sentimento de incapacidade. Comece pequeno! Ao alcançar metas curtas, você acumula provas empíricas de que é capaz de mudar. Lembre-se de que a falha faz parte do processo. Quando ela ocorrer, esteja preparado para rebater a autocrítica com acolhimento: “Fracassei desta vez, mas está tudo bem. Aprendi com o erro e tentarei novamente”.

Se comparar com os outros é um comportamento humano comum e pode até ser saudável se servir como um estímulo para o crescimento. O problema surge quando a comparação se torna excessiva e paralisante. É necessário monitorar se esse hábito está sendo construtivo ou se está fazendo mal para sua saúde. Caso a comparação fuja do controle, é preciso investigar os gatilhos emocionais que mantêm você preso a esse padrão.

Conclusão

Ter autoestima não significa atingir um estado de perfeição ou estar satisfeito o tempo todo, até porque isso também não é saudável, mas sim construir uma relação de respeito e lealdade com a pessoa que você é hoje. Isso é um processo contínuo, uma habilidade que se fortalece a cada pensamento acolhedor, a cada pequena meta alcançada.

Não espere se sentir “pronto” para começar a se tratar com mais carinho. A confiança não surge antes da ação, ela é na verdade, o resultado de você se dar a chance de tentar, errar e recomeçar sem se destruir no processo. Comece pequeno, respeite o seu tempo e lembre-se: a mudança é possível, e o primeiro passo é decidir ser o seu maior aliado, em vez do seu próprio carrasco.

Referências

Psicologia do inconsciente vol. 7/1 – Carl Gustav Jung

O eu e o inconsciente vol. 7/2 – Carl Gustav Jung

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