O que é considerado um vício?

Porta neutra com fechadura travada em forma de nó de corda, sugerindo vício como perda de controle e repetição compulsiva, com luz lateral dramática
O vício não é apenas um "hábito ruim", mas uma compensação inconsciente por uma vida unilateral ou desprovida de espiritualidade, exigindo que o indivíduo confronte sua própria escuridão para encontrar o "tesouro" da completude.
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Tiago Medeiros

Psicólogo Junguiano - CRP 04/72974

Um vício geralmente indica algo que escapa o nosso controle, muitas vezes nos levando a caminhos autodestrutivos. Entretanto, devemos ter em mente que sempre estaremos sujeitos a algum tipo de vício, e é melhor que isso esteja consciente do que o contrário.

Como o vício é visto na psicologia complexa?

Umas das formas que manias e vícios podem ser analisados na psicologia complexa é a partir de uma possessão por complexos (conteúdos psíquicos autônomos), visto que é algo que escapa do controle da vontade consciente. Outra forma também seria a de que o vício é uma busca espiritual mal direcionada. Não é incomum ver pessoas que não encontram satisfação ou sentido em tarefas mundanas e buscam preencher esse vazio interior com prazeres. O vício então é visto como uma espécie de substituto para a vida simbólica, levando a energia a ficar presa em níveis destrutivos, sem possibilidade de uma elaboração simbólica.

Vício, sombra, projeção e individuação

O vício também pode aparecer por projeções, especialmente se não tivermos consciência sobre nós mesmos, incluindo nossas limitações, defeitos, características que não queremos ou não conseguimos ver, entre muitos outros (sombra). O reconhecimento de nossos próprios vícios e manias é fundamental para parar de projetá-los e o sofrimento e o isolamento causados por eles podem forçar o indivíduo ao autoconhecimento necessário para a cura.

Os vícios também encarregam-se de “crucificar” o homem comum que busca a totalidade, já que o vício coloca o indivíduo em uma posição de estar entre opostos irreconciliáveis, pelo menos até que uma síntese psíquica seja alcançada.

Ademais, atitudes e comportamentos viciantes podem ser transmitidos de pais para filhos, desenvolvendo assim as mesmas reações e complexos dos pais.

Conclusão

Em resumo, o vício não é apenas um “hábito ruim”, mas uma compensação inconsciente por uma vida unilateral ou desprovida de espiritualidade, exigindo que o indivíduo confronte sua própria escuridão para encontrar o “tesouro” da completude.

Um vício geralmente indica algo que escapa o nosso controle, muitas vezes nos levando a caminhos autodestrutivos. Entretanto, devemos ter em mente que sempre estaremos sujeitos a algum tipo de vício, e é melhor que isso esteja consciente do que o contrário.

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