No senso comum se tem a visão de que o psicólogo ou analista são profissionais que aconselham ou dão sugestões. E enquanto isso não é totalmente mentira, também não é de todo uma verdade. Como exemplo podemos dizer que isso será algo que variará dependendo de qual abordagem o psicólogo segue, pois cada abordagem terá sua epistemologia. Porém como funciona isso na psicologia junguiana?
Diferentes tipos de terapia
Bem, primeiramente é necessário responder que a própria ideia de que a psicoterapia já tenha um objetivo de antemão já é um equívoco. Na verdade o objetivo dependerá do paciente. Há pacientes que terão casos mais simples, sendo a sugestão, o bom conselho e explicações acertadas ferramentas legítimas e eficazes para estes casos. Já para casos mais complexos, a sugestão se mostrará insuficiente e será necessário recorrer ao método dialético, para confrontar a individualidade do paciente.
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O papel da sugestão
Há uma antinomia na psicologia analítica que é: “na psicoterapia não há regras, e isso também não é uma regra”. No caso da sugestão, não é errado se utilizar dela, contanto que leve o paciente para fora desse papel passivo e dependente da autoridade do médico. Muitos pacientes esperam ou até exigem sugestões e conselhos para evitar assumir a responsabilidade por suas vidas, e dar esta resposta é um erro. O psicólogo não pode subjugar a individualidade do paciente ao que este considera correto (imposição da vontade).
Outro ponto importante é o de que o psicólogo sempre atua de forma sugestiva através de sua personalidade. A influência pessoal do analista é um fator terapêutico que não pode ser ignorado, mas deve ser tornado consciente para não turvar o julgamento. Inclusive Jung nos diz que a personalidade do psicólogo é a única ferramenta que ele pode dispor a seu favor para o processo de cura de seu paciente.
Além disso, uma pessoa só aceita uma sugestão para a qual já tenha uma predisposição interna. Se não houver essa base no inconsciente do paciente, a sugestão não terá efeito duradouro e será expelida como um “corpo estranho”. Como nos diz Jung, uma verdade só é verdade quando funciona. Assim, qualquer método pode ter valor se for eficaz, mas até que ponto um médico com formação científica pode justificar tais “truques” a longo prazo? A autoridade médica pode “trazer a cura” como um fenômeno de sugestão e fé, mas na psicologia analítica a cura deve surgir não da imposição do médico, mas do desenvolvimento e da conscientização do próprio paciente.
A terapia da sugestão e a hipnose
Parte do porque Jung inclusive abandonou a hipnose e métodos puramente sugestivos se dá porque são uma imposição da vontade do psicólogo sobre seu paciente, e isto é um erro na psicologia complexa porque o processo de cura deve surgir da própria personalidade do indivíduo.
Além disso os sucessos da sugestão eram frequentemente instáveis, pois não eliminavam a causa da neurose, apenas suprimiam o sintoma temporariamente. A sugestão também atua “no escuro” e não faz exigências éticas à personalidade consciente do paciente, enquanto a análise busca a autonomia moral e a capacidade de julgamento.
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Conclusão
Para concluir, a sugestão é um componente elementar da medicina, mas a psicologia analítica busca algo superior: a conscientização e a integração dos conteúdos inconscientes, para que o indivíduo aprenda a “caminhar por si mesmo” em vez de ficar preso à autoridade sugestiva do analista.
