Após a pandemia de COVID-19, a psicoterapia online passou de uma alternativa emergencial para uma prática comum e consolidada. Entretanto, ainda se tem um certo receio com a terapia online ao contrário do que acontece com a presencial, mas será que existe alguma diferença real na eficácia do tratamento?
A história da psicoterapia online
A modalidade à distância não surgiu da noite para o dia. Na verdade desde o início dos anos 2000, o formato vinha sendo testado e aprimorado à medida que a tecnologia avançava e a telemedicina ganhava espaço na comunidade científica.
Com o acúmulo de evidências sobre sua eficiência e segurança, órgãos reguladores, como o Conselho Federal de Psicologia (CFP), foram gradualmente estabelecendo diretrizes e resoluções para regulamentar a prática. Assim a modalidade online tornou-se uma opção oficial, ética e amplamente acessível, consolidando-se definitivamente no pós-pandemia.
Semelhanças e diferenças no consultório virtual
Diversas pesquisas na área da saúde mental indicam que não há diferenças significativas no manejo da relação terapêutica entre as duas modalidades. Na verdade, a relação pode ser construída com o mesmo nível de profundidade na tela.
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A principal diferença técnica reside na comunicação não verbal:
No presencial: o profissional consegue observar com mais clareza a postura corporal completa, pequenos movimentos de pernas ou mãos e a linguagem corporal global.
No online: a visão costuma ser limitada ao rosto e ao tronco superior, o que exige do terapeuta uma atenção redobrada à entonação de voz, expressões faciais e pausas na fala.
Prós e contras da modalidade online
Para entender se a terapia online é ideal para você, vale pesar os dois lados da balança:
Vantagens:
Praticidade e economia: Elimina o tempo gasto no trânsito e reduz custos com transporte ou deslocamento.
Acessibilidade: Permite realizar sessões de qualquer lugar do mundo, facilitando o acesso para pessoas com mobilidade reduzida, rotinas intensas ou que moram em cidades pequenas sem especialistas por perto.
Conforto emocional: Para muitos pacientes (como pessoas com ansiedade social extrema), começar o processo no conforto e na segurança do próprio lar pode ser menos intimidador.
Desvantagens:
Privacidade limitada: Nem todo mundo tem um espaço reservado e silencioso em casa sem a presença de familiares ou colegas de quarto, o que pode limitar a terapia em questões éticas.
Fatores tecnológicos: Conexões instáveis de internet, ruídos de microfone ou quedas na chamada podem interromper o fluxo do raciocínio e a entrega emocional da sessão.
Distrações do ambiente: Notificações no celular ou ruídos domésticos podem dificultar o foco do paciente no momento da sessão.
Afinal, a eficácia é a mesma?
Sim. A literatura científica atual confirma que a psicoterapia online possui a mesma eficácia clínica que a presencial para o tratamento dos mais diversos quadros, como ansiedade, depressão, estresse e demandas de autoconhecimento.
A técnica, o rigor ético, a capacidade de escuta do profissional e o compromisso do paciente continuam sendo os mesmos, independentemente do canal utilizado. O que muda mesmo é a adaptação delas do presencial para o online.
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Conclusão
A escolha entre a terapia online e a presencial não é uma questão de qual modalidade é “melhor” ou “mais funcional”, mas sim de qual se adapta melhor à sua realidade e perfil. O formato ideal é aquele que na sua concepção seja o melhor para você, seja em questões de conforto, segurança, entre outros.
Seja no sofá da sua casa ou na poltrona do consultório, o elemento mais importante para o sucesso do tratamento continua sendo o mesmo: o vínculo humano de confiança construído entre você e seu psicólogo.
Referências
Desafios e eficácia da psicoterapia on-line: uma revisão bibliográfica
A psicoterapia online no Brasil: dimensões e reflexões acerca de novas interações em psicologia
