Sobre os arquétipos
Os arquétipos seriam imagens constitutivas da humanidade. Por isso, pode-se dizer que experiências humanas coletivas podem se pautar nestas imagens, desde
contos, até mitos, sonhos, entre muitos outros. Contudo, não se deve relacionar os arquétipos com algo metafísico, místico (no sentido de ser algo anticientífico) e muito menos a algo obscurantista, já que tais imagens podem ser comprovadas de forma pragmática nos fenômenos, como foi evidenciado e estudado por Jung. Mas qual seria a função de se conhecer os arquétipos?
Por que importam?
Conhecer a estrutura dos comportamentos humanos é uma ferramenta clínica muito poderosa, visto que a chave para a superação de uma neurose (estagnação) de um paciente pode já estar exemplificada em um conto por exemplo. Então, ao se ter conhecimento de comportamentos primordiais do coletivo, se tem aí um guia muito útil, tanto para análises dos próprios comportamentos do paciente quanto dos símbolos que este irá trazer na análise. Logo, ao se ter conhecimento dos arquétipos e consequentemente de simbologia, o terapeuta consegue então a partir da análise e em conjunto com seu paciente, fazer com que este consiga integrar os símbolos, tornando-se assim então seu eu mais verdadeiro.
Jung, em seu método, delimitou de forma classificativa que estes padrões comportamentais que eram observados em diversas culturas diferentes, sonhos variados, religiões, faziam parte do que ele chamou de inconsciente coletivo. Aqui, coletivo não no sentido de existir um inconsciente que é partilhado por todas as psiques ao mesmo tempo, como se fosse uma espécie de hive mind, mas sim coletivo no sentido de que toda psique pode acessar este vasto arcabouço. Arcabouço este que diz de algo que engloba a história do homem, que engloba seus instintos, seus primórdios até os dias atuais. Jung enfatiza para não confundir o conceito de arquétipo com o que seria o de sua aplicação, visto que há diferenças entre os dois.
As imagens arquetípicas
Se os arquétipos são moldes, formas vazias e imateriais, as imagens arquetípicas são tais formas preenchidas com o conteúdo consciente. Logo, pode-se dizer que a imagem arquetípica é a representação do arquétipo, sua manifestação ao ser imbuída com a experiência consciente. Algumas manifestações arquetípicas
são símbolos coletivos, como o velho sábio, o herói, entre outros.
É muito importante dizer que os conceitos na psicologia complexa não devem se sobrepujar sobre os fatos e os fenômenos. Fazer isto seria um erro epistemológico e sem nenhuma função prática.
Então toda experiência humana coletiva é arquetípica?
Não, nem toda experiência humana coletiva será arquetípica, da mesma forma que nem toda experiência individual será baseada em um arquétipo. Por fim, novamente ressalto aqui que deve-se ter em mente que o conceito de arquétipo é somente utilizado para se entender os fatos e classificar os fenômenos e se não tiver efeito prático na vida do paciente, não serve para nada.
Veja também: A psicologia complexa
Conclusão
Em suma, os arquétipos não devem ser vistos como entidades místicas ou dogmas metafísicos, mas sim como estruturas funcionais e verificáveis, de forma pragmática e empírica, da psique humana. Eles atuam como moldes universais que organizam muitas experiências coletivas, entretanto nem todas, desde os mitos antigos até aspectos de sonhos individuais.
O verdadeiro valor desse conhecimento, contudo, reside na sua aplicação prática. Na clínica, identificar esses padrões permite compreender aspectos dos símbolos que podem atuar para superar estagnações e neuroses. Portanto, o estudo dos arquétipos permanece relevante na medida em que oferece uma ferramenta clínica poderosa para a melhora do paciente.
Referências
Os arquétipos e o inconsciente coletivo vol. 9/1 – Carl Gustav Jung.
O Método de Jung – Heráclito Pinheiro.
Introdução à Psicologia Junguiana – Heráclito Pinheiro.
Psicologia junguiana: uma introdução – Heráclito Pinheiro.
O Pensamento Vivo de Jung – Heráclito Pinheiro.
