Hoje em dia está muito comum as pessoas quererem diagnósticos sobre seus transtornos psicológicos, mas como fica essa questão do diagnóstico para a psicologia complexa e como isto influencia na clínica? Além disso, porque esse é um assunto tão popular nos dias de hoje e o que é um diagnóstico psicológico?
O que é um diagnóstico psicológico?
O diagnóstico psicológico é um documento que demonstra o resultado de um processo de uma avaliação psicológica (ou neuropsicológica), que tem como objetivo informar para o indivíduo se este tem transtornos psicológicos ou não. A avaliação tem como objetivo analisar características e sintomas de um indivíduo a partir de um conjunto de testes, escalas, questionários, entrevistas, entre outros. Geralmente a avaliação é feita por uma psicóloga (o) e costumeiramente dura de 6 a 12 sessões.
Por que está tão popular nos dias atuais?
Essa é uma pergunta que requer um estudo mais aprofundado, até porque possivelmente envolve diversos fatores. Entretanto minha opinião é a de que com o avanço dos testes se tornou mais fácil ter um diagnóstico e identificar possíveis transtornos. Fora isso, também tem o fato de que hoje em dia as pessoas parecem estar tomadas por um imediatismo em relação a muitas coisas, esta sendo uma delas. Isso faz com que queiram ter um diagnóstico a todo custo, as vezes até independentemente de terem algum transtorno ou não.
Mas qual o problema de buscar seu diagnóstico?
Não há problema se o diagnóstico for por um caminho de autoconhecimento, inclusive para aprender a lidar melhor consigo mesmo e com seus sintomas, inclusive é muito válido isso. O problema na verdade é quando o diagnóstico se torna uma espécie de desculpa para não ter que lidar com os problemas de fato. Há pessoas que acham que após o diagnóstico seus problemas irão acabar, sendo que na verdade os sintomas e problemas vão continuar os mesmos, a única diferença é que agora dá para nomear o que os aflinge.
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Como é na psicologia complexa?
Na psicologia complexa o diagnóstico terá essa função de ajudar a nomear o que aflinge o paciente e não passará disso. Na verdade, o prognóstico é muito mais útil do que o diagnóstico, já que o fenômeno, isto é, a forma como os sintomas aparecerão para o paciente irão continuar mesmo após o diagnóstico. Neste sentido a psicologia é diferente da medicina, pois para a medicina basta saber o problema para saber qual remédio receitar. Na psicologia complexa, o que importa é o fenômeno que aparece ali na clínica.
Conclusão
Para concluir, deixo aqui então um trecho de Jung que resume bem a posição pragmática da psicologia complexa frente a este tema:
“O médico comum parte do pressuposto de que o exame do paciente deve levar, dentro da medida do possível, ao diagnóstico da sua doença, e, uma vez feito o diagnóstico, à decisão quanto aos pontos essenciais do prognóstico e da terapia. A psicoterapia constitui uma visível exceção a esta regra: para ela, o diagnóstico é extremamente irrelevante, na medida em que – exceto um nome mais ou menos adequado para o estado neurótico do paciente – nada se ganha, principalmente no que diz respeito ao prognóstico e à terapia. Contrapondo-se declaradamente ao resto da medicina, em que, de um determinado diagnóstico, decorre eventualmente um tratamento específico e um prognóstico relativamente seguro, o diagnóstico de qualquer neurose psíquica significa, no máximo, que um tratamento psíquico seria recomendado. Quanto ao prognóstico, ele é extremamente independente do diagnóstico.”
Referências
A prática da pscioterapia vol. 16/1 – Carl Gustav Jung
